2021-07-25
Dzianis Urbanôvitch.

O presidente da Malady Front, Dzianis Urbanôvitch, foi libertado após 20 dias de prisão no Centro de Isolamento de Delinquentes (CID). Ele foi detido em 3 de julho, em Minsk. Os motivos de sua detenção são desconhecidos.

Dzianis foi transferido de cela em cela muitas vezes. Ele viu o tratamento reservado aos criminosos comuns e para os presos políticos. Ele fala das condições do centro de isolamento como genocídio: qualquer pessoa que chega lá é “simplesmente destruída”.

Em sua opinião, as forças de segurança passaram a ter um comportamento mais severo com os presos políticos do que no início do ano. Eles têm certeza de que nunca haverá qualquer punição por suas ações. As celas estão superlotadas: há 18-20 pessoas em uma cela com quatro camas. Algumas pessoas desmaiam com o calor: as celas estão muito abafadas e quentes. Os presos políticos não têm colchões, muitos dormem no chão. Sem produtos de higiene, sem escovas de dente, sem chuveiros, sem entregas de pacotes. A comida é dada de modo que os prisioneiros dificilmente vão ao banheiro. As luzes estão constantemente acesas nas celas.

Revistas são realizadas dia e noite. As pessoas são tiradas da cela, colocadas em uma posição com pernas esticadas e braços torcidos. Muitas são espancadas. Urbanôvitch conta que durante a sua prisão espancaram-no e chutaram-no na parte inferior das costas e nas pernas, espancaram-no nos rins com um cassetete, até por um simples riso. Ele teve sangramento interno por causa dos espancamentos, e precisa ser internado. Agora ele urina com sangue e sente dor. Ele diz que muitos prisioneiros tiveram problemas semelhantes. Muitos estão doentes com coronavírus – aqueles que tinham uma temperatura de 38-39 graus foram levados por uma ambulância, o resto dos pacientes não são testados ou tratados.

“Espero que pelo menos alguém preste atenção ao fato de que as repressões em Belarus não pararam, elas continuam, e todo belarusso pode ir para a prisão mesmo por uma simples repostagem, e vão espancá-lo, quebrá-lo, e os médicos da prisão não vão fornecer assistência, – diz Urbanôvitch. – O centro de isolamento de delinquentes é o Auschwitz do século XXI. No centro de Minsk, no centro da Europa, em 2021, está um Auschwitz que está matando a nação belarussa. Não há palavras, você tem que ir lá para entender tudo”.

Para o e-mail do centro de direitos humanos Viasná, em condição de anonimato, foram enviadas fotografias tiradas em uma cela do centro de isolamento na rua Akrestsin, este ano. A foto mostra que a cela está superlotada: as pessoas dormem juntas em beliches de ferro, alguém dorme na mesa e no chão. Os detidos também não têm colchões e lençóis. Também nas fotos tem a hora em que foram tiradas: é madrugada, mas as luzes das celas estão acesas.