2021-11-02
Yahor Martsinóvitch

O serviço russo da BBC, por meio de uma cadeia de intermediários, conseguiu entrevistar o editor-chefe do Nasha Niva, Yahor Martsinóvitch, que está na prisão. Organizações de direitos humanos o reconheceram como prisioneiro político.

Yahor Martsinôvitch foi detido pela primeira vez no início dos protestos em massa em Belarus, na noite de 11 de agosto de 2020, quando voltava para casa após a manifestação que ele cobriu como jornalista. Ele foi mantido sob custódia por vários dias sem acusações e até mesmo sem documentos, e em 13 de agosto foi libertado.

Em 20 de agosto de 2020, o site do jornal mais antigo de Belarus foi bloqueado por decisão do regime, mas a redação conseguiu anular essa decisão. Quase um ano depois, em 8 de julho de 2021, Martinovic e três outros funcionários do jornal foram detidos por funcionários de segurança (o chefe do departamento de publicidade Andrei Skurko também continua sob custódia). No início, eles foram acusados de organizar protestos ilegais e o site de Nasha Niva foi bloqueado novamente.

“Depois que as autoridades destruíram o portal TUT.BY, a maior mídia online do país, ficou claro que eles viriam para todos”, comenta Yahor Martsinóvitch. – Houve algum sinal de que eles iam nos atacar especificamente? Não, simplesmente houve “explosões” por todos os lados. Mas continuamos a trabalhar com ênfase na legalidade, não devemos temer em nosso país”.

Como resultado, Yahor Martsinóvitch foi acusado não por questões políticas, mas por econômicas: danos materiais. Não houve nem tentativa de tornar a acusação plausível.

“Eu estou preso apenas como vingança por minha atividade profissional, diz ele. – O mais difícil é entender que você está perdendo um tempo que poderia ser gasto com benefícios. E é difícil ver como esta situação está esgotando nossos parentes”.

Martsinóvitch diz que Nasha Niva fazia questão de operar legalmente e obedecer às leis. “Porque a nossa tarefa – a existência de uma mídia diária em idioma belarusso – é mais importante do que quaisquer riscos. Nasha Niva sempre teve problemas de edição e distribuição – éramos expulsos das bancas de jornais, as gráficas foram proibidas de imprimir nossas edições, isso foi um impulso para o desenvolvimento do site. É por isso que a mídia independente é muito mais forte do que a mídia pró-governo online. O regime simplesmente não sabe trabalhar na Internet”.

Agora, o editor-chefe da Nasha Niva continua em um centro de detenção preventiva na Rua Valadarskaha, em Minsk. Em sua última mensagem curta, ele disse que ele e outras 19 pessoas estavam agora detidas em um porão sem janelas e apenas uma pequena abertura sob o teto para ventilação. Martsinóvitch escreveu que estava sufocando e por enquanto não podia responder às cartas em detalhes.