2022-05-27
Dança de roda nos protestos de Brest. Foto: belsat.eu

Em 13 de setembro de 2020, em Brest, uma das maiores cidades de Belarus, houve uma Passeata dos Heróis, para protestar contra as eleições fraudulentas. Durante essa ação, mais de mil pessoas ouviram música, cantaram, dançaram em roda, riram – tudo parecia um festival. Algum tempo depois, os policiais chegaram e começaram a dispersar agressivamente o povo com canhões de água. Desde então, os habitantes de Brest se referem a esse cruzamento como o dos “canhões de água” e o caso judicial que foi iniciado posteriormente é conhecido como o “caso da dança de roda”. Os julgamentos acontecem há mais de um ano. As pessoas são julgadas em grupos, acusadas de graves violações da ordem pública.

Os ativistas de direitos humanos o descrevem como um dos julgamentos em massa de maior motivação política da história belarussa. Já foram proferidas 129 sentenças no caso da “dança de roda”. No total, os condenados no caso receberam 125 anos de trabalho forçado em domicílio, mais de 90 anos no campo de trabalho forçado e cerca de 14 anos na colônia penal. Alguns dos condenados já cumpriram suas penas e foram libertados. Alguns condenados conseguiram fugir para o exterior.

O último julgamento teve lugar no dia 17 de maio de 2022. Foi o julgamento mais rápido dos manifestantes de Brest, com duração inferior a uma hora. Andrei Ulassau e Yuliya Suvalka foram condenados a três anos de trabalho forçado em domicílio.

Também, duas pessoas do famoso processo de Autukhovitch, onde 12 pessoas foram acusadas de fogo posto e preparação de atrentados terroristas, estão também no caso da “dança de roda”. São a empresária Irina Melkher e seu filho Anton

Uma das condenadas anteriormente, a prisioneira política Yuliya Laptanovitch, será julgada de novo. De acordo com a investigação, ela informou, em troca de recompensa, quem estava perseguindo sua família. Além disso, ela recebia transferências no seu cartão, que repassava às vítimas da repressão. Ela enfrenta até sete anos de prisão. Seu marido Ihar está na prisão há mais de um ano. Três filhos aguardam sua libertação.